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domingo, 28 de junho de 2009

Demagogia ou grande lata?

Há uns anos num debate com Paulo Portas, Francisco Louçã disse que Portas não podia falar sobre a paternidade por este não ser pai.
Caiu meio mundo em cima de Louçã.
Agora a Helena Matos (uma das pessoas que mais gosto de ler) insinua que os autores do "contra-manifesto" não podem falar sobre a criação de emprego por nunca terem criado um emprego.
Não percebo o silêncio daqueles que na altura criticaram a demagogia de Louçã.

Demagogia ou grande lata?

Há uns anos num debate com Paulo Portas, Francisco Louçã disse que Portas não podia falar sobre a paternidade por este não ser pai.
Caiu meio mundo em cima de Louçã.
Agora a Helena Matos (uma das pessoas que mais gosto de ler) insinua que os autores do "contra-manifesto" não podem falar sobre a criação de emprego por nunca terem criado um emprego.
Não percebo o silêncio daqueles que na altura criticaram a demagogia de Louçã.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ai não querem trabalhar à borla?

Quantos mais casos de escravatura existirão por esse país fora?
Cativeiro do pastor Luís durou dez longos anos

Ai não querem trabalhar à borla?

Quantos mais casos de escravatura existirão por esse país fora?
Cativeiro do pastor Luís durou dez longos anos

Ai não querem trabalhar aos Sábados?

Os (neo) liberais andam de novo a espumar de contentamento por causa do que se passa na AutoEuropa, fábrica da Volkswagen, que tem o saudável costume de colocar trabalhadores a lutar entre si para ver de quem será a fábrica seguinte a fechar.
Isto porque a Administração da empresa ameaça, de forma cada vez menos velada, fechar a fábrica caso os trabalhadores não aceitem trabalhar aos Sábados sem o acréscimo de remuneração.
Agora o Eng. Belmiro de Azevedo, homem respeitável por ser dos poucos milionários portugueses que enriqueceu a trabalhar, num acesso de parvoíce veio dizer que a malta ou trabalha aos Sábados como se fosse um dia útil, ou então... há muita gente disposta a trabalhar por tuta e meia...
É o problema do neo-liberalismo: trata cada pessoa como um mero recurso, descartável e indesejável sempre que demonstra livre-pensamento...

Ai não querem trabalhar aos Sábados?

Os (neo) liberais andam de novo a espumar de contentamento por causa do que se passa na AutoEuropa, fábrica da Volkswagen, que tem o saudável costume de colocar trabalhadores a lutar entre si para ver de quem será a fábrica seguinte a fechar.
Isto porque a Administração da empresa ameaça, de forma cada vez menos velada, fechar a fábrica caso os trabalhadores não aceitem trabalhar aos Sábados sem o acréscimo de remuneração.
Agora o Eng. Belmiro de Azevedo, homem respeitável por ser dos poucos milionários portugueses que enriqueceu a trabalhar, num acesso de parvoíce veio dizer que a malta ou trabalha aos Sábados como se fosse um dia útil, ou então... há muita gente disposta a trabalhar por tuta e meia...
É o problema do neo-liberalismo: trata cada pessoa como um mero recurso, descartável e indesejável sempre que demonstra livre-pensamento...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A lata descomunal (2)

E pronto, lá vamos todos comprar a COSEC para ajudar as exportações, como os empresários portugueses tinham suplicado.
Significa isto que os principais actores do mercado encontraram mais uma área em que a iniciativa privada não é eficiente (pelo menos até a crise passar, já que a AEP - com a lata do costume - já anunciou que então será melhor reprivatizar a COSEC)?
Humm, cheira-me que não. O que se passa é a socialização do risco das exportações, ao passo que os respectivos beneficiários continuam a defender a contenção salarial.
Lucros garantidos e salários baixos: enfim, o paradigma económico português...
Mas há outra questão que se deve colocar e continua "imperguntada":
Como se vai fixar o preço que vamos pagar pela COSEC?
Por fim, o comentário de Camilo Lourenço, no Jornal de Negócios:
Se a Cosec está a restringir os seguros à exportação, isso deve-se ao risco das operações em causa. Se o Estado quer ser ele a dizer quem se deve segurar e a que preço, isso significa mudar os critérios segundo os quais esse risco é avaliado. Ou seja, passa-se de risco empresarial para risco político. É uma boa solução para os empresários e uma excelente solução para os vendedores: quem quer estoirar o seu capital a segurar exportações com base em critérios políticos de avaliação do risco? Mas é uma péssima solução... (adivinhou, leitor) para os contribuintes. Tudo isto num Estado onde a dívida pública está quase nos 81,5% do PIB. Fantástico!

A lata descomunal (2)

E pronto, lá vamos todos comprar a COSEC para ajudar as exportações, como os empresários portugueses tinham suplicado.
Significa isto que os principais actores do mercado encontraram mais uma área em que a iniciativa privada não é eficiente (pelo menos até a crise passar, já que a AEP - com a lata do costume - já anunciou que então será melhor reprivatizar a COSEC)?
Humm, cheira-me que não. O que se passa é a socialização do risco das exportações, ao passo que os respectivos beneficiários continuam a defender a contenção salarial.
Lucros garantidos e salários baixos: enfim, o paradigma económico português...
Mas há outra questão que se deve colocar e continua "imperguntada":
Como se vai fixar o preço que vamos pagar pela COSEC?
Por fim, o comentário de Camilo Lourenço, no Jornal de Negócios:
Se a Cosec está a restringir os seguros à exportação, isso deve-se ao risco das operações em causa. Se o Estado quer ser ele a dizer quem se deve segurar e a que preço, isso significa mudar os critérios segundo os quais esse risco é avaliado. Ou seja, passa-se de risco empresarial para risco político. É uma boa solução para os empresários e uma excelente solução para os vendedores: quem quer estoirar o seu capital a segurar exportações com base em critérios políticos de avaliação do risco? Mas é uma péssima solução... (adivinhou, leitor) para os contribuintes. Tudo isto num Estado onde a dívida pública está quase nos 81,5% do PIB. Fantástico!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A lata descomunal

Ao mesmo tempo que pede a renacionalização de uma das (pouquíssimas) seguradoras de crédito que actuam em Portugal, a AEP critica o Governo por ter aumentado a função pública (facto que puxa os salários do sector privado) por afinal a inflação ser mais baixa do que se previa.
A AEP afirma que «a moderação salarial é uma exigência absoluta» para defender a competitividade.
Bem, além de qualquer merceeiro (sem desprimor para estes) saber que a competitividade não se mede pelos salários mas pelas opções de negócio que se toma quando se investe assumindo o risco inerente, é preciso uma lata descomunal para - ao mesmo tempo que se pede a moderação (i.e. congelamento ou redução) dos salários dos trabalhadores, se pedir a nós todos que asseguremos o seu risco.
É o neo-conservadorismo devorista e rentista no seu melhor! De facto, a AEP com líderes deste calibre bem pode migrar para paraísos da moderação salarial...

A lata descomunal

Ao mesmo tempo que pede a renacionalização de uma das (pouquíssimas) seguradoras de crédito que actuam em Portugal, a AEP critica o Governo por ter aumentado a função pública (facto que puxa os salários do sector privado) por afinal a inflação ser mais baixa do que se previa.
A AEP afirma que «a moderação salarial é uma exigência absoluta» para defender a competitividade.
Bem, além de qualquer merceeiro (sem desprimor para estes) saber que a competitividade não se mede pelos salários mas pelas opções de negócio que se toma quando se investe assumindo o risco inerente, é preciso uma lata descomunal para - ao mesmo tempo que se pede a moderação (i.e. congelamento ou redução) dos salários dos trabalhadores, se pedir a nós todos que asseguremos o seu risco.
É o neo-conservadorismo devorista e rentista no seu melhor! De facto, a AEP com líderes deste calibre bem pode migrar para paraísos da moderação salarial...

sábado, 29 de novembro de 2008

Salvar o BPP para salvar a imagem do país?

O Governo decidiu salvar o BPP para proteger a imagem do país. É difícil entender isto sem conter uma náusea de revolta. É que o BPP é o banco onde os milionários portugueses lavam o seu dinheiro, ou - no mínimo - o põem a "salvo" das Finanças.
Mas pior do que isso é a constatação que serão os maiores bancos portugueses a injectar liquidez no BPP: é que os maiores bancos portugueses admitiram não terem a liquidez necessária para satisfazer as suas obrigações imediatas ao recorrer ao aval do Estado.
Significa isto que parte do aval disponibilizado pelo Estado servirá para os bancos portugueses "safarem" os milionários do BPP, repercutindo depois os custos dessa salvação nos "spreads" a ser pagos por todos os outros portugueses.
É o capitalismo à portuguesa: devorista e rentista.

Salvar o BPP para salvar a imagem do país?

O Governo decidiu salvar o BPP para proteger a imagem do país. É difícil entender isto sem conter uma náusea de revolta. É que o BPP é o banco onde os milionários portugueses lavam o seu dinheiro, ou - no mínimo - o põem a "salvo" das Finanças.
Mas pior do que isso é a constatação que serão os maiores bancos portugueses a injectar liquidez no BPP: é que os maiores bancos portugueses admitiram não terem a liquidez necessária para satisfazer as suas obrigações imediatas ao recorrer ao aval do Estado.
Significa isto que parte do aval disponibilizado pelo Estado servirá para os bancos portugueses "safarem" os milionários do BPP, repercutindo depois os custos dessa salvação nos "spreads" a ser pagos por todos os outros portugueses.
É o capitalismo à portuguesa: devorista e rentista.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Os bancos e a liberdade

I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the American people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around [the banks] will deprive the people of all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered. The issuing power should be taken from the banks and restored to the people, to whom it properly belongs.

Thomas Jefferson, Letter to the Secretary of the Treasury Albert Gallatin (1802)
3rd president of US (1743 - 1826)

Os bancos e a liberdade

I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the American people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around [the banks] will deprive the people of all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered. The issuing power should be taken from the banks and restored to the people, to whom it properly belongs.

Thomas Jefferson, Letter to the Secretary of the Treasury Albert Gallatin (1802)
3rd president of US (1743 - 1826)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Remédio para uns, mas...

Eu sei que provavelmente isto será paranóia, mas...
Até há poucos dias, a crise financeira estava instalada e para durar. O Petróleo estava em queda livre, as Bolsas afundavam-se e a pressão de descida de juros era forte.
De repente, os Estados (i.e. os contribuintes) injectam liquidez nos mercados para safar a onça.
Agora, o petróleo voltou a subir, os juros estão a subir e as Bolsas andam eufóricas.
No meio disto tudo fica a lição:
Os financeiros liberais podem fazer tudo o que quiserem porque, quando as coisas correrem mal os contribuintes vão ajudá-los. As ajudas dos contribuintes servirão para que os financeiros liberais possam incrementar as suas acções depredatórias.

Remédio para uns, mas...

Eu sei que provavelmente isto será paranóia, mas...
Até há poucos dias, a crise financeira estava instalada e para durar. O Petróleo estava em queda livre, as Bolsas afundavam-se e a pressão de descida de juros era forte.
De repente, os Estados (i.e. os contribuintes) injectam liquidez nos mercados para safar a onça.
Agora, o petróleo voltou a subir, os juros estão a subir e as Bolsas andam eufóricas.
No meio disto tudo fica a lição:
Os financeiros liberais podem fazer tudo o que quiserem porque, quando as coisas correrem mal os contribuintes vão ajudá-los. As ajudas dos contribuintes servirão para que os financeiros liberais possam incrementar as suas acções depredatórias.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os lucros da Galp

Diz o João Miranda, do Blasfémias:

Método socialista de lidar com os “lucros escandalosos” da GALP: organizar um
protesto contra a GALP sofrendo prejuízos e causando-lhe prejuízos.
Método capitalista de lidar com os “lucros escandalosos” da GALP: comprar acções da GALP patilhando os lucros.

Julgo que a tese dele tem dois problemas:
1- Os lucros escandalosos da Galp resultam da inoperância do mercado, uma vez que os liberais que o abriram (ao mercado), deixaram-na monopolista da refinação e dominante na distribuição. Por isso é que é mentira que a Galp seja “tomadora” de preço dos combustíveis. É-o “apenas” quanto à matéria prima.
2- Para comprar acções da Galp é preciso dinheiro. O problema é que o rendimento disponível das famílias, após as despesas essenciais, é cada vez menor: não se pode poupar nem investir o que não se tem.

Os lucros da Galp

Diz o João Miranda, do Blasfémias:

Método socialista de lidar com os “lucros escandalosos” da GALP: organizar um
protesto contra a GALP sofrendo prejuízos e causando-lhe prejuízos.
Método capitalista de lidar com os “lucros escandalosos” da GALP: comprar acções da GALP patilhando os lucros.

Julgo que a tese dele tem dois problemas:
1- Os lucros escandalosos da Galp resultam da inoperância do mercado, uma vez que os liberais que o abriram (ao mercado), deixaram-na monopolista da refinação e dominante na distribuição. Por isso é que é mentira que a Galp seja “tomadora” de preço dos combustíveis. É-o “apenas” quanto à matéria prima.
2- Para comprar acções da Galp é preciso dinheiro. O problema é que o rendimento disponível das famílias, após as despesas essenciais, é cada vez menor: não se pode poupar nem investir o que não se tem.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Inimputáveis

Como sabemos, os liberais são uma espécie de inimputáveis, porque a culpa dos problemas é sempre do Estado ou da lei, nem que seja da "lei da oferta e da procura":
Portugal é o país em que há mais desigualdade social? A culpa é da lei da oferta e da procura, que faz com que os "melhores" tenham de ser melhor remunerados para não emigrarem, e que os "piores" tenham de ser mal pagos porque são muitos e, trabalho, há pouco.
Os combustíveis portugueses são mais caros do que no resto da Europa? A culpa é do Estado, que aplica um imposto que sobrecarrega o preço, e do monopólio de refinarias nas mãos de um só agente, a Galp.
Como é óbvio, as razões para as desigualdades sociais e preços dos combustíveis em Portugal também passam por aquelas que acima descrevi. Mas não se esgotam aí. O mercado, dizem os liberais, está sempre acima do bem e do mal, porém, isso não passa de uma questão de fé:
para eles o mercado nunca tem culpa de nada.
Diz o secretário-geral da OPEP que o mercado está numa espiral de loucura especulativa.
O mercado está louco? O melhor é, desde já, declará-lo mesmo inimputável e metê-lo num colete de forças, para que não continue a fazer estragos...
Legenda: solução para o mercado

Inimputáveis

Como sabemos, os liberais são uma espécie de inimputáveis, porque a culpa dos problemas é sempre do Estado ou da lei, nem que seja da "lei da oferta e da procura":
Portugal é o país em que há mais desigualdade social? A culpa é da lei da oferta e da procura, que faz com que os "melhores" tenham de ser melhor remunerados para não emigrarem, e que os "piores" tenham de ser mal pagos porque são muitos e, trabalho, há pouco.
Os combustíveis portugueses são mais caros do que no resto da Europa? A culpa é do Estado, que aplica um imposto que sobrecarrega o preço, e do monopólio de refinarias nas mãos de um só agente, a Galp.
Como é óbvio, as razões para as desigualdades sociais e preços dos combustíveis em Portugal também passam por aquelas que acima descrevi. Mas não se esgotam aí. O mercado, dizem os liberais, está sempre acima do bem e do mal, porém, isso não passa de uma questão de fé:
para eles o mercado nunca tem culpa de nada.
Diz o secretário-geral da OPEP que o mercado está numa espiral de loucura especulativa.
O mercado está louco? O melhor é, desde já, declará-lo mesmo inimputável e metê-lo num colete de forças, para que não continue a fazer estragos...
Legenda: solução para o mercado